IPocalipse

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 Bernardo Esteves escreveu para o jornal Folha de São Paulo o artigo Profeta do Ipocalipse ( http://connect.faap.br/ch07txt/ ) para comentar o lançamento do livro The Shallows  – What the Internet is Doing to our Brains (Os Superficiais – O Que a Internet Está Fazendo com nossos Cérebros), do jornalista Nicholas Carr.

 O livro tem como tese principal que “estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos” e que “a internet esta promovendo mudanças celulares em nosso cérebro”. Compara tuítes, torpedos e emails que recebemos constantemente, parando nossa leitura para checá-los, à um soco que apaga a memória de um boxeador impedindo a consolidação da mesma. Para comprovar sua tese a equipe psiquiátrica de Gary Small utilizou a ressonância magnética para mostrar cérebros de internautas acíduos e outros nem tanto. A técnica mostrou que os internautas experientes tiveram a região do cérebro ligadas à tomada de decisão e de raciocínio complexo ativadas, isso por que segundo o neurociêntista Roberto Lent o uso da internet exige atenção, aprendizagem, memória e tomada de decisões. Este fator seria o propulsor para a mudança no córtex cerebral. Ele explica que qualquer atividade que realizamos tem este poder, assim como aprendemos a dirigir, nosso cérebro se adapta, automatizando a tarefa necessária para completar a tarefa.

  Para Roberto Lent a comparação da perda de memória por torpedos aos socos é excessiva por uma tratar de uma perda cognitiva e a outra mecânica. Segundo Suzana Herculano Houzel esta perda ocorre por não sermos “feitos” para prestar atenção em mais de uma coisa por vez, e as páginas de hipertexto são “recheadas” de informação, mas entende que estamos sempre fazendo um processo de seleção da informação recebida no nosso dia-a-dia como, por exemplo, desconcentrar a leitura de um livro por conta de um ruído.

  Pinker, psicólogo evolutivo canadense, discorda da tese de Carr e diz: “Se a internet fosse tão nociva, não estaríamos num período de florescimento das ciências, da filosofia, história e da crítica”. O Neurociêntista Sidarta Ribeiro concorda com esta linha de pensamento ainda dizendo que a internet é “extremamente liberadora para a sociedade”, que o problema é o uso intensivo de seus usuários e nossa cede por novidades.

 Tomando eu mesma como objeto de estudo acredito que é exatamente esta ansiedade qual Sidarta Ribeiro cita ser o maior problema para a fixação da informação na nossa memória. Leio a página do mural do Facebook esperando que logo apareçam novos posts no feed de notícias, não há tempo para uma leitura longa e contínua e muito menos crítica de qualquer coisa. Acredito que quando não ocorre uma reflexão sobre o assunto lido, realmente fica difícil para qualquer um lembrar sobre o que leu (ao menos que o sujeito tenha memória fotográfica, rs.). Passa a ser apenas, como diria a semiótica Peirceana: Uma reação de primeiridade àquele texto, vendo sua forma, mas não ocorrendo o resgate de memórias de nosso repertório, tomado como secundidade para passar finalmente à completa compreensão do conteúdo: Terceiridade.

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